Resumo biográfico de Camilo Castelo Branco

Camilo nasceu, em Lisboa, em 1825.
Considerado o nosso maior romancista entre os anos 50 e 80 do século XIX, e um dos maiores génios de toda a Literatura Portuguesa, ficou órfão de mãe aos dois anos e de pai aos nove.
Entregue aos cuidados de uma tia em Vila Real, casou-se aos 16 anos em Ribeira de Pena.
Em 1844, instalou-se no Porto com o intuito de cursar Medicina, mas não passa do 2.o ano. Em 1845, estreou-se na poesia e no ano seguinte no teatro e no jornalismo - actividade que nunca abandonará.
A partir de 1848, fixou-se no Porto, decidido a ganhar a vida como jornalista. Levou, porém, uma vida de boémia e de genuíno “leão” romântico, dividida entre os cafés, os teatros, os salões da burguesia portuense de fresca data, as salas da Biblioteca Pública do Porto, as redacções dos jornais e as editoras, facto que lhe deu um conhecimento profundo do Porto urbano e humano de Oitocentos.
Nesta cidade esteve preso na Cadeia da Relação do Porto, e, na segunda vez, por envolvimento amoroso com aquela que seria a sua mulher fatal: Ana Plácido.
A partir do Inverno de 1863, instalou a sua oficina das letras na casa e quinta de S. Miguel de Seide, e aí escreveu grande parte da sua vasta obra e permaneceu com alguma regularidade até ao final da vida.
A partir de 1881, foram-se agravando os padecimentos, sobretudo a doença dos olhos.
Em 1890, já cego, sem esperança e impossibilitado de escrever, pôs termo à vida.
Por vontade do escritor, os restos mortais foram transladados para o Cemitério da Lapa do Porto e depositados no Jazigo de seu amigo Freitas Fortuna.


Camilo visto por Ramalho Ortigão

“…o nome de Camilo Castelo Branco representará para sempre na história da literatura pátria o mais vivo, o mais característico, o mais glorioso documento da actividade artística peculiar da nossa raça, porque ele é, sem dúvida alguma, entre todos os escritores do nosso século, o mais genuinamente peninsular, o mais tipicamente português.”

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Resumo biográfico de Ana Plácido

Filha de António José Plácido e de Ana Augusta Vieira Ana Plácido, Ana Augusta nasceu em 1832.
Aos 19 anos, casa-se com Manuel Pinheiro Alves, um brasileiro de torna-viagem, natural de S. Miguel de Seide.
Por envolvimento amoroso com Camilo Castelo Branco é pronunciada por crime de adultério e presa na Cadeia da Relação do Porto.
São absolvidos do crime de adultério em 1861 e passam, a partir do Inverno de 1863, a viver na Quinta de S. Miguel de Seide, em Vila Nova de Famalicão.
Casou-se com Camilo a 9 de Março de 1888.
No decurso da sua carreira literária assinou alguns dos seus trabalhos com pseudónimos, tais como Gastão Vidal Negreiro ou Lopo de Sousa. “Luz coada por ferros” é o título do primeiro livro de Ana Plácido, editado em 1863. Escrito durante o período em que esteve na cadeia, é dedicada à sua irmã Maria José Plácido e é uma obra repleta de dor e amargura.


Camilo escreve sobre Ana Plácido, em “Anos de Prosa”

“Num baile foi que a vi pela primeira vez. […] E quando a vi lembrou-me a Grécia, as artes em requintes de pompas, a numerosa família das Vénus, todos esses mármores eternos, que hão-de sobreviver à mitologia dos anjos, dos arcanjos e dos serafins”.

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Contemporâneos de Camilo

José Cardoso Vieira de Castro – (1837-1872) Escritor e político português foi condenado ao degredo depois de ter assassinado sua esposa.
Era um grande amigo de Camilo Castelo Branco e de Ana Plácido, e visita assídua do casal na casa de S. Miguel de Seide.

Almeida Garrett – (1799-1854) Iniciador do Romantismo, refundador do teatro português, criador do lirismo moderno, criador da prosa moderna, jornalista, político, legislador, Garrett é um exemplo de aliança inseparável entre o homem político e o criador, o cidadão e o poeta.
Legou-nos obras-primas na poesia, no teatro e na prosa, com evidente destaque para “Viagens na minha terra” e “Frei Luís de Sousa”.

Eça de Queirós – (1845-1900) Considerado por muitos, um dos maiores romancistas de toda a Literatura Portuguesa, o primeiro escritor realista português e renovador profundo e perspicaz da nossa prosa literária.
Publicou, em parceria com Ramalho Ortigão, através de cartas anónimas dirigidas ao Diário Noticias “O Mistério da Estrada de Sintra”, aquela que veio a ser a primeira narrativa de cariz policial portuguesa.
“Os Maias” é considerada a sua obra-prima.

Alexandre Herculano – (1810-1877) Escritor (romance e teatro) e poeta, jornalista e historiador, e um dos maiores vultos da primeira geração romântica portuguesa.
É autor, entre outros títulos, de “História de Portugal”, “Portugaliae Monumenta Histórica” e “Eurico, o Presbítero”.

Victor Hugo – (1802-1885) Poeta, dramaturgo e romancista, é considerado o escritor romântico mais importante de França, e autor de “Os Miseráveis” e de “Notre-Dame de Paris”.

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Pseudónimos de Camilo

A produção literária camiliana abrange quase todos os géneros literários vivos na sua época, nomeadamente a ficção romanesca, a novela passional, a dramaturgia, a história literária, o jornalismo, a epistolografia, entre outros.
Ao longo da sua actividade como escritor Camilo usou cerca de 21 pseudónimos, nomeadamente “Manoel Coco”, “Saragonçano”, “A.E.I.O.U.”, “Árqui-Zero”, “Anastácio das Lombrigas”, “Visconde de Qualquer Coisa”, “Felizardo” e “O Antigo Juiz das Almas de Campanha”.

Obras de Camilo Castelo Branco

Com uma obra essencialmente marcada pelos cânones do Romantismo, apesar de alguns críticos entenderem que ele é avesso a seguir cânones literários pré-estabelecidos, Camilo escreveu durante 45 anos, entre 1845 e 1890, cerca de 137 títulos, correspondentes a 180 volumes, distribuídos da seguinte forma: Antologia, Biografia, Crítica, Diversos, Epistolografia, História, Miscelânea, Narrativa, Polémica, Romance, Teatro e Versos.
Entre a sua vasta produção, há títulos que são obrigatórios em qualquer biblioteca camiliana: “Doze Casamentos Felizes” e “O romance de um homem rico” (1861), “Amor de Perdição” e “Memórias do Cárcere” (1862), “A queda de um anjo” (1866), “Novelas do Minho” (1875 / 1876), “Eusébio Macário” (1879), “A Corja” (1880), e “A brasileira de Prazins” (1882).

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Temas da ficção camiliana

“Ao tomar para matéria de ficção a sociedade do seu tempo, Camilo captou com mão de mestre, algumas das constantes que, ao longo dos séculos, tinham fixado traços essenciais da sociedade portuguesa de todos os tempos. A importância fulcral da vida amorosa, sempre em conflito com preconceitos de classe e interesses materiais; o fatalismo como força dominadora da vida das personagens; a paixão política exacerbada pela guerra civil, primeiro, e pelas lutas do partidarismo parlamentar, depois; a ambição dos emigrantes […]; a resistência dos valores tradicionais às novas formas de ser e de estar; o pessimismo trágico […]; a luta permanente do sonho com a realidade; uma religiosidade sincera, mesmo quando supersticiosa e milagreira, de mistura com um anticlericalismo de acerada crítica ou de risonha bonomia; uma sensibilidade feita de simpatia cristã em contraste com um gosto deliberado pela sátira impiedosa a cuja força não resiste […]” (Aníbal Pinto de Castro)

Panorâmicas
Pensamentos Camilianos

“Eu não tenho imaginação, tenho memória e memória do que vi, do que senti, do que experimentei. Se descarno as pinturas, se descrevo uma cena friamente, é porque assim os olhos, que a viram, a levaram à alma, que a imprimiram em si.”
In “A Vingança”, de Camilo Castelo Branco


“Os livros antigos pagam liberalmente a quem os atura. Não há velhice mais dadivosa e agradecida do que a deles.”
In “Cavar em ruínas” de Camilo Castelo Branco

 

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